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Aluno desmaiou 5 min após beber mistura de álcool com remédios em escola de Fortaleza, diz mãe

Médico alerta sobre os perigos de misturar bebida alcoólica com remédios. O adolescente que bebeu uma mistura de bebida alcoólica com remédios em uma escol...

Aluno desmaiou 5 min após beber mistura de álcool com remédios em escola de Fortaleza, diz mãe
Aluno desmaiou 5 min após beber mistura de álcool com remédios em escola de Fortaleza, diz mãe (Foto: Reprodução)

Médico alerta sobre os perigos de misturar bebida alcoólica com remédios. O adolescente que bebeu uma mistura de bebida alcoólica com remédios em uma escola de Fortaleza desmaiou cinco minutos depois de consumir as substâncias. A informação foi repassada pela mãe dele em entrevista ao g1. A mistura é popularmente conhecida como “purple drank” ou “lean”. O caso aconteceu no Colégio Antares, na unidade localizada no bairro Papicu, em Fortaleza. Em nota, o colégio disse que o caso “está sendo devidamente tratado”. “Assim que a situação foi identificada, a escola acionou as famílias dos envolvidos, providenciou o encaminhamento médico necessário e registrou boletim de ocorrência junto às autoridades competentes", acrescentou. A Polícia Civil investiga o caso. Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp 💡 ‘Purple drank’ ou ‘lean’: em português, um dos apelidos da mistura significa “bebida roxa”. A mistura é elaborada com codeína, fármacos anti-inflamatórios e refrigerante. A mistura pode levar à morte. A origem da bebida seria dos Estados Unidos da América. O adolescente e a mãe dele não vão ser identificados. A mãe, que é arquiteta, disse que um colega de sala levou a mistura para o colégio e ofereceu a um grupo de amigos. O filho dela foi o único a tomar. Instantes depois, ele desmaiou ainda na sala de aula. “Toma, tu tem que tomar. Tu vai se sentir melhor. Vai te fazer bem. Tu acha que eu vou te dar uma coisa perigosa? Claro que não. Pode tomar”. Essas teriam sido as palavras do colega ao filho dela, conforme a mãe. “Quando ele tomou, deu cinco minutos, ele desmaiou”, complementou a arquiteta. Ligação da escola colégio antares em fortaleza Street View/Google Maps A arquiteta disse que tinha acabado de chegar no trabalho quando recebeu a ligação da escola sobre a situação que ocorreu com o filho. “O coordenador disse: ‘Eu preciso que você venha aqui, porque o [nome do filho] não está bem. Parece que ele está aparentando estar bêbado. Consumiu alguma bebida alcoólica’”, lembrou a mãe. “Aí, eu fiquei assustada. 8h15 da manhã? Como assim? Lá em casa a gente não bebe, meu marido não bebe, eu não bebo. Da onde é que ele tirou bebida? Lá de casa não foi”, disse a arquiteta. Ela disse que encontrou o filho completamente desorientado na escola. “Ele não estava conseguindo andar; o olho fechando, desfalecido. Meu marido carregou ele para o carro”, lembrou a mãe. Ela disse que o casal levou o filho ao hospital, mas, depois, o marido voltou à escola em busca de mais informações sobre o que o filho tinha consumido. No local, colegas do adolescente mostraram uma lista, que eles encontraram no lixo, com as substâncias misturadas. Nesse momento, um dos colegas assumiu que tinha feito aquela mistura. “Uma lista de remédios… Aí, ele disse: ‘É, foi isso aí mesmo’”, revelou a mãe ao g1. Internação na UTI Assim que souberam do caso, os pais levaram o jovem a um hospital da capital. Desde quinta-feira, ele precisou ficar internado na UTI. “Ele está mais orientado, já está acordado, conseguindo se alimentar um pouquinho. E o que mantém ele [na UTI] é porque ele ainda precisa manter a frequência cardíaca estável. Ele está tomando umas medicações para isso. Depois tem que fazer o desmame”, explicou a mulher, que trabalha como arquiteta. “Deram adrenalina para poder tornar, que aí foi o que manteve a frequência. Ele não saiu ainda, porque ele não consegue se manter bem sem essas medicaçõe. Mas assim, clinicamente, ele está bem”, complementou. Mãe faz alerta A arquiteta disse que o filho é um garoto tranquilo, que nunca teve problemas com uso de substâncias lícitas ou ilícitas. Com isso, a mãe alertou que é necessário que os pais reforcem a atenção com os filhos. “[Nas redes sociais], as pessoas falam: ‘Ah, isso são pais ausentes, que esse menino aceitou isso porque não tem a presença dos pais. Nós somos muito presentes. Então, não é porque você é um pai presente que lhe deixa imune a acontecer esse tipo de coisa. A vigilância tem que ser muito grande”, reforçou. “Tem coisas que não dependem dos pais. Tem horas que os filhos vão ter que fazer as escolhas, vão ter que dar os limites deles. O ‘sim’ ou o ‘não’. Está fora das nossas mãos. Por mais que a gente oriente, proteja, cuide…”, complementou a arquiteta. Investigação do caso A Secretaria da Segurança Pública informou que equipes da Polícia Militar do Ceará foram acionadas para atender uma ocorrência em uma escola particular do bairro Papicu. Na ocasião, policiais do Comando de Prevenção e Apoio às Comunidades (Copac) compareceram à escola e acompanharam a ocorrência. Pessoas que estavam na instituição de ensino foram encaminhadas para a Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) para prestar depoimento sobre o caso. O Colégio Antares disse ainda que “colabora integralmente com as autoridades responsáveis pela apuração dos fatos. Em respeito aos envolvidos e ao processo em curso, não serão prestadas informações adicionais neste momento”. ‘Purple drank’ ou ‘lean’ O médico Bruno Cavalcante publicou um alerta nas redes sociais, nesta quinta-feira, após o atendimento ao adolescente. “Ele apresentava sinais que estava um pouco desorientado, parecendo algo como embriaguez”, disse. “Mas a questão não é que ele não parecia só bêbado, ele parecia estar muito letárgico, não falava coisa com coisa, não conseguia reconhecer as pessoas. Quando a gente foi tentar entender o que aconteceu, um dos colegas levou para o colégio uma mistura de bebida alcoólica com gin, com alguns anti-histamínicos diferentes, de três classes diferentes; um deles sendo fenergan, com dipirona, com ibuprofeno, e com cinco outras medicações, medicações”, detalhou o médico. Bruno explicou que a mistura dos medicamentos, aparentemente inofensivos e usuais, é potencializada quando somada ao álcool. “Acaba levando, catalizando, potencializando o efeito desses anti-histamínicos”, explicou. “Com esse efeito de sedação, o cérebro desacelera, a respiração também desacelera, mas a pressão cai, o paciente pode até entrar em coma, pode até parar”, complementou. O “lean” ou “purple drunk” se popularizou principalmente entre as populações mais jovens. “Você que é pai, você que é mãe, a maior preocupação não é só o cheiro da bebida alcoólica no filho não. É perceber alguns outros sinais, uma sonolência excessiva, que o paciente não consegue ficar acordado, não consegue andar. Além disso, ele começa a ter a fala muito desarticulada, e ele fica desorientado”, alertou Bruno Cavalcante. “Se você perceber que, na sua casa, algumas medicações do dia a dia estão faltando, como essas medicações que eu citei anteriormente, preste atenção”, reforçou o médico. 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